CAMINHÕES COM IDADE AVANÇADA DIVIDEM ESTRADAS COM VEÍCULOS MODERNOS, GASTANDO MAIS COMBUSTÍVEL E OFERECENDO MAIS RISCOS DE SEGURANÇA

A lembrança e as imagens dos caminhoneiros parados nas estradas, durante dez dias, na greve de 2018, e a ameaça de uma nova paralisação, com alguns protestos na última segunda (01/02) evidenciam, além do exigido pelas manifestações, um outro problema de transporte no país: a idade da frota.

 

A idade média dos caminhões usados por autônomos é de 18,6 anos, de acordo com a pesquisa da CNT (Confederação Nacional do Transporte) – Perfil dos Caminhoneiros 2019, que contém informações sobre os profissionais e suas atividades.

 

Um quarto dos caminhões do Brasil está com 16 anos ou mais. E 55% da frota tem entre 6 e 16 anos de vida. Os números fazem parte do novo Relatório da Frota Circulante divulgado pelo Sindipeças – Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores.

 

E os autônomos dividem as estradas com modelos modernos de grandes frotistas do pais.

 

“A precarização da frota reflete em maior consumo. E a falta de manutenção também impacta em maior consumo de combustível e emissões de poluentes, além de intervenções inesperadas e riscos de acidentes”, diz Daniel Bassoli, diretor executivo da Associação Mineira da Segurança Veicular (AMSV) e da Federação Nacional da Inspeção Veicular (FENIVE).

 

Quanto mais antigo o veículo mais poluente e menos eficiente. Os motores a diesel emitem óxido de nitrogênio, composto cancerígeno, que exige leis para forçar a constante evolução da indústria. De 1994, quando entrou em vigor o Proconve – Programa de Controle de Emissões Veiculares –  até hoje, houve uma  significativa redução dos poluentes. Mas a iniciativa não foi levada a frente.

 

Frotistas têm incentivos do governo e compram caminhões a juros negativos, o que aumenta ainda mais o abismo entre eles e os autônomos. Houve planos e promessas de incentivos para todos, para estimular a troca de modelos antigos por novos e, em 2012, foram liberados mais de 18 bilhões em recursos, mas não houve um plano concreto que auxiliasse os autônomo no acesso às linhas de crédito e outros incentivos. Sem isso, a frota está cada vez mais envelhecida.

 

Daniel Bassoli explica que “para que haja uma renovação da frota é necessária a inspeção veicular com assiduidade e assegurada por lei. Sem isso, continuaremos com veículos menos seguros, mais poluentes e gastando mais combustível”.

 

Foto: G1

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